Transumanismo

  • Nenhuma avaliação
  • Classificação-12
Assistir
Compartilhar

Transumanismo: imortalidade ou destruição do ser humano?


Classificação 12: não recomendado para menos de 12 anos


Episódio 2: este é o segundo episódio da série Tecnocracia. Assista ao episódio 1 ou episódio 3 clicando no link ou visitando o final desta página.


Transcrição

A ciência e a tecnologia transformaram radicalmente o meio-ambiente. Onde existiam campos, rios, florestas e montanhas, agora há avenidas, prédios, carros, antenas.

A tecnologia revolucionou o mundo, e agora, caminha para revolucionar o próprio ser humano.

Pela primeira vez na história, o ser humano está deixando de ser o senhor da tecnologia e passando gradativamente a ser também objeto da tecnologia.

Pierre Teilhard foi um jesuíta, geólogo e paleontólogo. Ele foi um evolucionista darwinista que se dizia teísta.

Teilhard via a vida como um contínuo processo de evolução que vai do físico para o biológico, e finalmente, rumo ao espiritual.

Segundo ele, Deus não deveria ser visto como o Criador, mas como o ponto Ômega, isto é, para onde caminharia e culminaria a evolução humana. 

Teilhard foi o primeiro a falar de evolução humana num contexto tecnológico ou transumano.

Ele abordou temas como biotecnologia e tecnologias inteligentes.

A palavra transumanismo ganhou vida quando o biólogo evolucionista Julian Huxley a usou no título de um influente artigo científico publicado em 1957.

Julian Huxley teve como avô o biólogo darwinista Thomas Henry Huxley, e como irmãos, Aldous Huxley, autor do livro O Admirável Mundo Novo, e Andrew Huxley, irmão menos conhecido, mas ganhador de um prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1963.

Em seu livro New Bottles for New Wine, publicado em 1957, Julian Huxley cita a palavra transumanismo estabelecendo, assim, as bases do transumanismo.

Julian escreveu:  “A espécie humana poderá, se desejar, transcender a si mesma – não apenas pontualmente, um indivíduo aqui de uma forma, um indivíduo lá de outra forma – mas como um todo, como humanidade. Precisamos de um nome para esta nova crença.

Talvez a palavra transumanismo sirva para isso: o homem permanecendo homem, porém, transcendendo a si mesmo, realizando novas possibilidades de e para sua natureza humana”.

Julian Huxley foi por anos o presidente da Sociedade Britânica de Eugenia. O transumanismo nasceu de ideias ligadas à eugenia; da ideia de se criar um ser humano superior, e de melhorar e purificar a espécie humano. Essa ideia foi a base do nazismo e que resultou em milhões de mortes.

Julian foi o primeiro diretor geral da UNESCO e presidiu-a por vários anos. 

Transumanistas e eugenicistas compartilham o desejo de obter suficiente conhecimento para tomar as rédeas da evolução humana para assim criar um ser humano superior ou perfeito.

Na base do transumanismo está a ciência, por isso, falaremos de cientismo.

Consta na Wikipédia que “cientismo ou cientificismo é a concepção filosófica que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana sobre a realidade; que afirma que a ciência é a única capaz de realmente oferecer benefícios práticos e com autêntico rigor cognitivo”. 

O pai do cientismo foi o filosofo francês Henri de Saint-Simon. 

Por volta de 1820, Saint-Simon escreveu: “Um cientista, caros amigos, é um homem que prevê. A ciência é útil porque ela fornece os meios para prever, e os cientistas são superiores a todos os outros homens”.

A ciência sempre se colocou como a razão humana e muitos acreditam que ela poderá levar a humanidade a um futuro glorioso. Essa visão positivista pode levar a enganos e cegar nossa percepção.

Por isso, as implicações no uso da ciência não devem ser consideradas apenas no aspecto ético, pois seu uso não dispensa uma escolha de ordem moral e, sem esta, a ciência pode se tornar nociva à humanidade. 

Em 1910, a genética de Gregor Mendel parecia dar uma explicação completa sobre a hereditariedade, porém, suas descobertas científicas foram usadas para justificar a segregação racial, a restrição ao casamento entre pessoas de raças diferentes e a esterilização sexual.

As descobertas da ciência têm profundas implicações sociais e morais. 

As descobertas da ciência não podem ser tomadas como uma verdade nem abraçadas cegamente, pois a ciência vem se reinventando e redescobrindo constantemente. Por exemplo, o determinismo Newtoniana deu espaço para a teoria da Relatividade de Einstein.

Além disso, muitas instituições científicas estão direcionadas a atender seus patrocinadores, que tem interesses políticos, econômicos e ideológicos.

Por exemplo, a teoria do Aquecimento Global foi manipulada para ser usada para fins políticos e ideológicos. Outro exemplo, a teoria de Darwin sobre a Evolução é insustentável cientificamente diante do que a ciência descobriu sobre o DNA humano, porém, mesmo assim, essa teoria e ícone da ciência são sustentados ideologicamente para não abalar o fundamento naturalista e materialista da ciência.

Além disso, infelizmente, a ciência nem sempre pode ser exercida dentro de um contexto ético. Vejamos um caso da ciência médica.

Conforme notícias e relatórios do Tribunal da China, um órgão de credibilidade, o regime do Partido Comunista Chinês utiliza seus milhões de prisioneiros de consciência – cristãos, budistas, muçulmanos iugares e praticantes do Falun Dafa – como um estoque vivo de órgãos humanos para suprir os hospitais. Eles são também usados como cobaias no desenvolvimento de drogas farmacêuticas e experiências médicas. Isso é algo típico do nazismo.

O governo chinês tem também recebido críticas internacionais por ter realizado pesquisas transumanistas no campo da genética.

Na Wikipédia, o transumanismo é definido como: “Transumanismo é um movimento que visa a transformar a condição humana por meio do desenvolvimento de tecnologias amplamente disponíveis para aumentar consideravelmente as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas humanas. O que impele a filosofia transumanista é a erradicação de qualquer forma de sofrimento causado por doenças, pelo envelhecimento ou mesmo pela morte”. 

O símbolo do transhumanismo é um H+.

O “H” de humano ligado ao sinal de “+” passa a ideia de ir além dos limites humanos, transcender os limites humanos.

Os transumanistas consideram a evolução humana como um processo muito lento e querem acelerá-la usando a ciência e a tecnologia.

Ray Kurzwiel, diretor de engenharia do Google, é, sem dúvida, uma das maiores autoridades e defensores do transumanismo. Ele disse: “Após a singularidade, não haverá distinção entre humanos e máquinas ou entre realidade física e virtual.”

A singularidade representará, elucida Kurzwiel, o ponto de culminância, a fusão do nosso pensamento, de nossa existência biológica com a tecnologia, e, por conseguinte, nos distanciando de nossas raízes biológicas”.

A ciência e tecnologia está transformando o mundo e os transumanistas querem construir humanos adequados a ele.

Segundo os transumanistas, o ser humano terá que se ajustar ao novo mundo para poder viver nele.

Em 1963, quando a ciência da biologia molecular estava ainda engatinhando, o grande geneticista Joshua Lederberg olhou para onde a ciência poderia nos levar e escreveu na revista Nature: “A tecnologia avança tão rapidamente que, para acompanhar o seu ritmo, os humanos precisarão se adaptar mais rapidamente do que a evolução natural pode nos levar”.

O transumanistas falam em ciência convergente, a qual integra basicamente quatro áreas da ciência: biotecnologia, nanotecnologia, ciência cognitiva e tecnologia da informação.

Requer várias especializações: medicina, biologia, engenharia, física, química, psicologia, informática, etc. Requer integrar tudo isso sob um mesmo objetivo e sob uma mesma linguagem.

É como construir uma Torre de Babel para alcançar os céus.

Megacorporações, universidades e a indústria militar investem todos os anos bilhões de dólares em pesquisas que abrem o caminho para o transumanismo.

O primeiro filme sobre uma criatura produzida pelo homem foi Frankenstein, em 1910. Na época, já existia o fascínio pelos poderes da ciência e tecnologia.

Usando a tecnologia, o brilhante cientista Dr. Frankenstein cria uma criatura monstruosa reunindo partes de corpos humanos e dando vida.

O que era ficção no início dos anos de 1900, começa a ser realidade agora.

Filmes como Robocop, já davam em 1987 um vislumbre futurista do quanto a ciência e a tecnologia emergentes poderiam redefinir os limites biológicos que a natureza estabeleceu para nós, seres humanos.

O filme mostra um Robocop perplexo, que busca entender qual seria a sua real natureza, se ainda de um humano ou de uma máquina.

Muitas coisas desenvolvidas para equipar robôs humanoides foram feitas com base em engenharia reversa sobre o corpo humano. Por isso, no futuro, elas poderão voltar dos robôs para o ser humano.

Por exemplo, cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão, com base no funcionamento do olho humano, desenvolvendo um olho eletroquímico para robôs humanoides.

Os transumanistas prometem que, em poucas décadas, será possível transformar o corpo humano em um corpo que não adoece, não envelhece, e quem sabe, imortal. Certamente, essa é uma promessa que poucos terão direito.

Talvez o ser humano nunca alcance a imortalidade física, porém, acreditar nisso promove a fé na ciência.

Os transumanistas prometem aumentar radicalmente as nossas capacidades físicas, psíquicas e intelectuais por meio de coisas como implantes neurais e próteses biônicas. Prometem uma nova forma de evolução humana.

O hibridismo homem-máquina é um dos caminhos pelo qual o transumanismo pode avançar.

O já citado norte-americano, Ray Kurzweil, atual diretor de engenharia do Google, detém várias patentes na área da tecnologia e é autor de livros sobre saúde, inteligência artificial, transumanismo, singularidade e futurologia.

Ray prevê que, no final da década de 2030, a Inteligência Artificial já terá se igualado à humana, e que, por volta de 2050, os seres humanos poderão usar implantes neurais que aumentarão exponencialmente a capacidade cerebral.

Cientistas como Ray acreditam que será possível extrair o conteúdo no cérebro de uma pessoa e implantá-la em um corpo humano ou biônico ou criado em ambiente de realidade virtual.

Pouco falada atualmente, a criogenia humana ou criônica, é uma técnica para congelar e conservar corpos humanos.

As pessoas que pagam enormes quantias para terem seus corpos preservados acreditam que, no futuro, será possível resgatar o conteúdo armazenado no cérebro congelado e transferi-lo para um corpo, seja de um clone, de ciborgue, de humano ou produzido em um ambiente virtual. Assim, elas esperam ganhar nova vida.

Quando os transumanistas dizem que a ciência e a tecnologia acabarão com as doenças e o envelhecimento, que as capacidades irão muito além daquelas que recebemos do Criador ou da natureza, isso traz à mente o livro de Aldous Huxley, O Admirável Mundo Novo, publicado em 1932.

A história se passa em Londres no ano 2540. No romance, o autor antecipa vários desenvolvimentos em tecnologia reprodutiva, hipnopedia, manipulação psicológica e condicionamento clássico, que se combinam e são empregados por uma elite para mudar profundamente a sociedade e controlá-la.

A promessa do transumanismo é de nos transformar em super-humanos. Mas isso, de uma perspectiva madura e humana, é bom para o ser humano?

É uma promessa tentadora.

Devemos refletir: o que faz diferente alguém que se tornou um pianista pelo seu empenho e pela sua dedicação se comparado a uma outra pessoa que, hipoteticamente, se tornou pianista depois de ter inserido em seu implante neural o conhecimento para ser um pianista?

É justamente o processo de obtenção de uma habilidade e não a sua obtenção que dá dignidade, mérito e sentimento de realização ao ser humano; é o que o torna humilde e reverente ao sagrado; é o que nos torna humanos de fato.

O mundo que os transumanistas querem criar irá coisificar e terrestrizar o ser humano. Irá nos desconectar de nós mesmos, de nossos semelhantes e, ao final, do Criador. Perderemos a natureza humana.

O transumanismo gera debates calorosos, principalmente, de ordem religiosa, pois os transumanistas são em sua maioria ateus ou agnósticos, e colocam a ciência e tecnologia como se fossem um Deus a ser seguido.

Um mundo guiado pela ciência e tecnologia fará histórias de ficção como a de Anakin Skywalker, de Star Wars, virarem realidade. No filme, Anakin, por não ter superado sua rebeldia e a rancor, quando obteve poderes, tornou-se o tenebroso Darth Vader que usou a tecnologia para potencializar seu ímpeto de dominação e destruição. No futuro estaremos fazendo Guerra nas Estrelas.

Qual é o limite entre ser um humano e ser um monstro?

A proposta do transumanismo banaliza e rebaixa a vida afirmando o contrário. No futuro, talvez haja comerciais de TV que estimulem a comprar um olho biônico ou a fazer um upgrade no cérebro. Talvez a medicina seja substituída pela assistência técnica.

Quem está nascendo agora, caso o transumanismo se imponha, talvez não morra humano, mas máquina.

É inegável que ciência e a tecnologia, quando bem aplicadas, podem contribuir para o bem da humanidade.

A ciência e a tecnologia são feitas para o ser humano e não para que ele tenha que se submeter a ela ou ser escravizado por ela.

Porém, a tecnologia não está sendo mais apenas oferecida; a humanidade está sendo empurrada para o transumanismo, e logo teremos que incorporá-la em nós, queiramos ou não. 

Já não se trata apenas de ciência e tecnologia, mas de reengenharia e controle social, que avança silenciosa e anonimamente.

A vida humana possivelmente se tornará uma propriedade privada do mesmo modo que atualmente ocorre com sementes modificadas geneticamente.

No futuro, se um ser humano for produzido num útero artificial ou coisa do tipo, se ele não tiver país, ele será propriedade da empresa que o produziu?

Do mesmo modo que sementes transgênicas, a empresa que desenvolveu o código genético desse ser humano terá direito a patenteá-lo? Terá direito a negociar a vida humana?

Esse ser humano poderá ser replicado? Poderá ser alugado? E quem o alugar terá que pagar royalties ou direitos autorais?

Vejam a perversidade para onde a humanidade poderá caminhar.

O transumanismo pode parecer agora, em sua fase germinal, teoria da conspiração ou fantasia ou paranoia, mas, fará sentido à medida que ciência e tecnologia se tornarem o eixo central da sociedade e o mundo caminhar para um tecnocracia.

Devemos estar atentos a ideias sedutoras como o transumanismo.

Brincar de Deus é extremamente perigoso. Conhecemos tão pouco sobre o ser humano, a vida e o universo, porém, arrogantemente nos colocamos como se fossemos deuses. Inconsequentemente, fechamos os olhos para o fato de que somos seres egoístas e falhos.

De um lado, como magos da ciência, os transumanistas querem transformar o mundo e o ser humano.

Do outro lado, estão aqueles que resistirão à correnteza que quer arrastá-los para um mundo transumano ou pós-humano. São os que pagarão um preço muito alto por resistirem a essa correnteza.

Sempre que o ser humano colocou o aspecto espiritual e moral em segundo plano, a humanidade se corrompeu e chegou ao fim de uma civilização ou um ciclo civilizatório. Temos como exemplos Sodoma, Babilônia, Egito, Grécia, Roma, etc.

Devemos nos lembrar que tudo o que fazemos afeta a todos.

Devemos nos lembrar que não é o conhecimento que liberta, mas a Verdade.

Devemos buscar a Verdade e cultiva a Bondade em primeiro lugar.

O próximo vídeo e último dessa série será sobre tecnocracia no século XXI


Imagem de capa: Shutterstock

  • 1. Tecnocracia 1930

    • Série: Tecnocracia
    • 2020
    • 30 min
    Neste vídeo, falaremos do movimento da tecnocracia da década de 1930 sob uma perspectiva histórica, pois isso é importante para desmistificar o tema. Compreender o que é uma tecnocracia é fundamental para entendermos para onde a humanidade caminha.

    Assista o documentário aqui →
  • 3. Tecnocracia Século XXI

    • Série: Tecnocracia
    • 2020
    • 30 min.
    O primeiro vídeo desta série foi sobre o movimento da Tecnocracia na década de 1930 e o segundo sobre Transumanismo. Este é o terceiro e último vídeo da série e é sobre Tecnocracia no Século XXI.

    Assista o documentário aqui →
Sem comentários para Transumanismo
Faça o login para avaliar

Avaliações sobre Transumanismo

Não existem avaliações para Transumanismo
Scroll to top

Fique informado

Inscreva-se em nosso Boletim Informativo para receber atualizações e promoções.