Tecnocracia 1930

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Tecnocracia 1930: o embrião da tecnologia no comunismo


Classificação 12: não recomendado para menos de 12 anos


Episódio 1: este é o primeiro episódio da série Tecnocracia. Assista ao episódio 2 ou episódio 3 clicando no link ou visitando o final desta página.


Transcrição

Neste vídeo, falaremos do movimento da tecnocracia da década de 1930 sob uma perspectiva histórica, pois isso é importante para desmistificar o tema. Este vídeo é uma introdução para o ultimo vídeo desta série, que será sobre Tecnocracia no Século XXI. Compreender o que é uma tecnocracia é fundamental para entendermos para onde a humanidade caminha.

E para entendermos como se chegou ao movimento da tecnocracia na década de 1930, vamos retroceder e, partindo da Idade Média, percorreremos brevemente a história da industrialização até o ano de 1930, quando se inicia o movimento da tecnocracia.

Até 1500, na Europa, a produção era realizada por trabalho braçal humano com base no cultivo da terra e de artesões, que confeccionavam roupas, escudos, espadas e tudo mais que era necessário. Era uma economia predominantemente feudal e voltada à subsistência.

A partir de 1500, rotas comercias marítimas e colônias foram estabelecidas, e assim, comércio floresceu. Inicia-se uma transição do modo de produção feudal para o de produção capitalista.

E com a expansão da demanda, pouco a pouco, o modo de produção vai se transformando.

A produção vai deixando de ser artesanal para ser manufaturada, ou seja, o trabalho foi dividido em etapas e cada empregado passou a fazer uma etapa do processo produtivo ao invés de todo o trabalho. A divisão do trabalho aumentou a produtividade e a capacidade de produção.

Cidades surgem e crescem. A industrialização vai ganhando força.

Em 1777, James Watt, um engenheiro britânico, aperfeiçoa o motor a vapor de modo a torná-lo funcional para a indústria.

O motor a vapor possibilita a invenção de máquinas que aumentam a capacidade produtiva, barateando preços, alavancando o consumo e a acumulação de capital.

A invenção do motor a vapor foi revolucionaria e podemos dizer que foi praticamente a partir dela, que começou o que é chamado de a Primeira Revolução Industrial.

Surge, por exemplo, o tear mecânico movido a motor a vapor, que revolucionou a produção de tecidos.

Em 1804, 30 anos depois da invenção do motor a vapor, na Inglaterra, é fabricada a primeira locomotiva a vapor. O transporte a cavalo vai ficando para trás.

Em pouco tempo, as locomotivas ganham grande capacidade de carga. Poucas décadas depois, a Europa e os EUA estavam cobertos de ferrovias. Isso alavancou o crescimento de cidades bem como o comércio e a industrialização.

Em 1807, simultaneamente à invenção da locomotiva, surge o barco a vapor impulsionado por roda de pás. Foi o barco Clermont, inventado pelo norte-americano Robert Fulton. O Clermont percorreu 200 quilômetros pelo Rio Hudson em 32 horas.

Em 1819, 12 anos depois do Clermont, o navio Savannah, movido à vela e vapor, vai dos Estados Unidos à Inglaterra numa viagem que durou quase um mês, porém, seu motor a vapor esteve em funcionamento só durante 85 horas. No resto do tempo, a propulsão foi à vela.

Para se ter uma ideia do desenvolvimento tecnológico e industrial, cem anos depois do barco Savannah impulsionado a pás, surge o Titanic, com mais de 1.500 pessoas a bordo, consumindo 700 toneladas de carvão por dia e em com velocidade média de 40 km/h.

Em 1844, o telégrafo é inventado resultando em grande impacto nas comunicações.

Entre 1860, oitenta anos depois da invenção do motor a vapor, começa a Segunda revolução industrial.

Mais e mais pessoas deixam as áreas rurais para morar e trabalhar nas cidades, e assim, surgem metrópoles.

1886 é considerado o ano de nascimento do automóvel, o Patent-Motorwagen, que tinha uma potência de 2/3 de HP e velocidade máxima de 15 km/h. A sua força de tração e velocidade eram menores do que as de uma carroça puxada a cavalo.

A indústria petrolífera cresce como a popularização do motor a combustão.

Em 1903, os irmãos Wright realizaram o primeiro voo com o Flyer I. O avião percorreu 37 metros em 12 segundos, a uma velocidade de 10,9 km/h e teve a decolagem auxiliada por um sistema de trilhos.

Em 1906, o brasileiro Santos Dumont, com o seu avião 14-Bis, é o primeiro a decolar sobre rodas e sem precisar de impulsão auxiliar. Santos Dumont voou por aproximadamente 60 metros, a 3 metros do chão e velocidade de 30 km/h.

A partir de 1900, a popularização do uso da energia elétrica deu enorme impulso ao processo de industrialização.

A indústria do aço ganhou impulso e tornou-se um dos pilares do progresso.

A partir 1927, começa a massificação no uso do rádio, que também revoluciona as comunicações.

Se há algo que caracterizou a Segunda Revolução Industrial, foi a linha de produção em massa, que foi popularizada por Henry Ford e que é utilizada até hoje.

Em 1913, Ford implantou a primeira linha de montagem de carros, e um carro que demorava 13 horas para ser fabricado passou a ser fabricado em duas horas e meia.

O desenvolvimento e a inovação durante a Segunda Revolução Industrial foram grandes em todos os setores da indústria: metalúrgico, químico, elétrico, farmacêutico e outros.

Em 1914, 140 anos depois da invenção do motor a vapor, começa a Primeira Guerra Mundial e isso marca o fim da Segunda Revolução Industrial.

Nessa época, o progresso já havia mudado o modo de vida e o ambiente humano.

Comparando o ano de 1500 com 1900, o progresso foi gigantesco.  

Em 1900, a confiança depositada na ciência e na tecnologia eram enormes. 

E aqui, começaremos a falar sobre tecnocracia, que tem como base a ciência, a tecnologia e a indústria.

Por volta do ano 380 a.C., 24 séculos atrás, Platão escreveu A República, que gira em torno de uma cidade ideal governada com base no conhecimento filosófico.

Em a República, Platão escreveu: “Os males humanos não cessarão antes que puros e autênticos filósofos cheguem ao poder ou que os governantes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente”.

Para Platão, o conhecimento requerido dos governantes é a filosofia. É um governo de sábios.

Porém, em 1820, dois séculos atrás, o francês Saint-Simon, filosofo e economista, popôs uma sociedade gerida pela ciência.

Saint-Simon escreveu: “Um cientista, meus caros amigos, é um homem que prevê. A ciência é importante porque fornece os meios para prever, e os cientistas são superiores a todos os outros homens”.

Para Saint-Simon, o conhecimento requerido para se governar é o dos cientistas.

Nos EUA, no início do século de 1900, havia um otimismo geral de que o progresso industrial e o avanço da ciência e da tecnologia levariam a um mundo sem pobreza, e com menos injustiças e conflitos sociais.

Nessa época, Veblen, famoso economista e sociólogo estadunidense, também compartilhava desse otimismo.

Veblen, uma pessoa com ideais revolucionários, não acreditava numa revolução social com base na classe trabalhadora como no marxismo. Ele via nos engenheiros e técnicos um grupo com o conhecimento e a motivação para assumir o controle da economia e, por meio dela, transformar a sociedade. 

Veblen acreditava que uma sociedade industrial sob a condução de engenheiros e técnicos, ao invés de banqueiros e homens de negócio, seria mais justa e produtiva.

Em 1918, no final da I Guerra Mundial, Veblen foi apresentado a Howard Scott, um engenheiro estadunidense que falava de uma economia gerida com base na ciência ao invés de nas finanças e leis de mercado. E isso, alimentou as esperanças revolucionárias de Veblen.

Em 1918, incentivado por Veblen, Scott funda a associação Aliança Técnica.

Durante os 16 anos de existência da Aliança Técnica, de 1918 a 1934, Scott esteve à frente dela.

A Aliança Técnica promovia reuniões, conferências e seminários. Veblen trazia economistas e sociólogos e Scott trazia cientistas e engenheiros para a Aliança. A Aliança Técnica era um “Think Tank”, um espaço para troca de ideias e reflexão sobre ciência, tecnologia e temas relacionados.

Na relação de associados da Aliança Técnica estavam importantes nomes de diversas áreas do conhecimento científico.

Um ilustre cientista que participou de algumas reuniões da Aliança Técnica foi Albert Einstein.

Einstein disse: “Estamos no alvorecer de um novo mundo. Os cientistas têm dado aos homens poderes consideráveis. Os políticos se aproveitaram deles. O mundo deve escolher entre a desolação inaceitável da industrialização para o lucro e a conquista, ou a juventude vigorosa de uma ciência e uma tecnologia voltada a atender às necessidades sociais de uma nova civilização”.

Em 1920, pouco depois da fundação da Aliança Técnica, Veblen, com problemas de saúde e descrente no potencial revolucionário dos engenheiros e técnicos, desliga-se da Aliança.

Veblen tinha em mente usar a Aliança para implantar um socialismo de viés tecnocrático, algo bem diferente do que Scott e os outros membros da Aliança pensavam.

Veblen propôs criar sovietes de engenheiros e técnicos, à exemplo do que estava ocorrendo com os camponeses na Rússia, e isso chocou os demais associados da Aliança, principalmente em um país como os EUA onde a democracia era muito valorizada.

Em 1930, a sede da Aliança técnica é transferida para um espaço cedido pela Universidade de Colúmbia, em Nova York.

Uma das principais atividades que estavam sendo desenvolvidas pela Aliança era um estudo do potencial energético hídrico na América do Norte, um aspecto central no modelo de economia de Scott e que seria a base daquilo que viria a ser chamado de tecnocracia.

Na década de 1930, os Estados Unidos sofriam os efeitos da Grande Depressão Econômica de 1929. Havia filas e mais filas de pessoas esperando por um prato de sopa ou procurando por um emprego.

As pessoas culpavam os políticos pela crise econômica e por tudo o que lhes estava acontecendo de ruim. Elas diziam: “Os políticos fizeram uma péssima administração; arruinaram as nossas vidas”.

Para muitas pessoas, o capitalismo parecia estar morto; esse era o sentimento geral.

No início de 1932, Scott envia para o jornal New York Times e para o New York Herald Tribune material informativo expondo suas ideias sobre um novo tipo de economia.

A resposta não demorou. Em junho de 1932, o New York publica uma matéria sobre as ideias de Scott e sua proposta de governo que, por ter como base a ciência e a engenharia, foi chamada de tecnocracia.

O jornal noticiou que, finalmente, um grupo de especialistas de uma conceituada Universidade estava oferecendo uma solução para o caos da Grande Depressão Econômica.

Quando Scott veio a público e disse: “Temos a solução. Nós sabemos como resolver o problema”, isso gerou esperança e curiosidade, e todos quiseram saber mais sobre a tecnocracia.

A tecnocracia afirmava que seria necessário colocar de lado os políticos, porque eles não tinham o conhecimento técnico necessário para administrar o país. 

Que para que a economia voltasse a crescer seria necessário rejeitar a antiquada e insustentável economia baseada na lei da oferta e procura, e gerida como negócio financeiro.

A tecnocracia propunha que a economia deveria ser gerida por engenheiros e especialistas ao invés de políticos.

Os líderes do movimento da tecnocracia diziam que a América deveria estar crescendo ao invés de estar agonizando economicamente, pois havia tudo o que era necessário para o crescimento: pessoas precisando trabalhar, recursos naturais e energia, e capacidade ociosa nas fábricas.

Com base em projeções matemáticas, eles diziam que, se as coisas continuassem como estavam, a crise se agravaria, haveria cada vez mais desemprego e a economia entraria em colapso total.

Eles diziam que o pleno emprego era possível e que bastariam 660 horas de trabalho anuais para que cada trabalhador tivesse um salário superior à vigente, ou seja, bastariam quatro horas diárias de trabalho durante quatro dias por semana, com férias de mais de dez semanas. Tudo isso era animador.

A definição de tecnocracia dada por eles próprios foi:

“Tecnocracia é um sistema econômico baseado na distribuição e no consumo de energia, e que é administrado por engenheiros, cientistas e técnicos”.

A tecnocracia propunha uma economia administrada centralmente por engenheiros e técnicos sobre uma área que abrangeria toda a América do Norte e parte norte da América do Sul, como mostra a imagem. Essa região geográfica seria o “Tecnato da América”.

Propunha a gradual substituição das cidades existentes, não planejadas, por urbanates, que hoje equivale ao conceito de cidades-inteligentes.

Urbanates seriam centro urbanos nos quais a pessoas viveriam e trabalhariam, e neles, seus residentes teriam reunidas todas as facilidades necessárias à uma comunidade moderna, tais como escolas, hospitais, centros comerciais, centros de educação, centros esportivo, parques e tudo mais necessário a uma vida comunitária planejada cientificamente.

Na administração do Technate of America não haveria eleições ou parlamento, pois questões técnicas e de importância fundamentais não deveriam estar submetidas ao voto popular, mas decididas por técnicos especialistas. Contudo, seria possível o referendo popular para questões não técnicas e de menor impacto sistêmico.

Na tecnocracia, o dinheiro seria substituído por uma moeda lastreada em energia, pois, naquela época, a energia era vista como um futuro fator limitante na expansão industrial e na produção de produtos.

Na tecnocracia, cada produto e serviço seria projetado e precificado com base na energia gasta na sua produção. Seria uma economia com base na energia e haveria um tipo de contabilidade não financeira que integraria, a cada instante, consumo e produção.

Se trouxermos para o presente, haveria um tipo de cartão de crédito que permitiria o controle do consumo individual em termos de quantidade, valor, horário, local e itens comprados.

Na outra ponta, a produção seria ajustada para atender a demanda. Uma contabilidade técnica controlaria toda a produção. Haveria uma Banco de Dados central com todas as informações possíveis sobre cada pessoa.

É o que o Google, Facebook e várias instituições estão fazendo com as informações das pessoas.  As informações estão sendo reunidas e já em fase de criação de um Banco de Dados pessoais de abrangência mundial.

A tecnocracia, propunha, mas de forma não clara, aquilo que atualmente chamamos de Renda Básica Universal, pela qual as pessoas receberiam um tipo de salário ou renda como sua parte na riqueza produzida.

Na década de 1930, no que se refere ao que a tecnocracia se propunha a fazer, ainda não havia a tecnologia necessária para tanto, principalmente, tecnologia da informação para a integração da produção com o consumo, o registro dos dados pessoais, o processamento em tempo real e muitas outras coisas de caráter sistêmico.

Possivelmente, esse tenha sido um dos motivos de a tecnocracia nunca ter apresentado uma proposta concreta de implantação.

A monada era e ainda é o símbolo da tecnocracia e lembra o símbolo Yin-Yang do taoísmo. Na tecnocracia, simboliza o equilíbrio entre os seres humanos e o meio ambiente bem como um eficiente e não prejudicial equilíbrio entre produção e consumo.

A tecnocracia sempre teve em mente o conceito de sustentabilidade, antes mesmo de o termo ter o significado atual, carregado de “verde”. A proposta da tecnocracia, em âmbito de relações entre países, lembra um pouco o que hoje chamamos de Créditos de Carbono.

Porém, a tecnocracia não se concretizou. Quando ficou evidente o aspecto revolucionário da tecnocracia em relação às instituições e ao sistema democrático dos EUA, quando ficou claro que a proposta da tecnocracia ia muito além de apenas tirar os Estados Unidos da depressão econômica, a elite e a mídia da época começaram a criticar e minar a imagem da tecnocracia.  O movimento foi chamado de a “Revolução dos Engenheiros”.

Os críticos diziam que o que os objetivos do movimento da tecnocracia poderiam ser alcançados sem o sacrifício das instituições existentes e sem riscos à democracia.

Com todo tipo de crítica e de comentários negativos em jornais e rádios, a Aliança Técnica foi convidada em 1932 a se retirar da Universidade de Colúmbia.

Em 1934, Scott funda a Technocracy Incorporated, uma organização para a filiação de pessoas com interesse em participar do movimento da tecnocracia.

Apesar das críticas e dos ataques da mídia, o movimento cresceu, principalmente, na costa oeste dos EUA, onde ganhou dimensão política.

O movimento foi marcante naquele período. A Technocracy Incorporated realizava cursos, seus membros faziam um cumprimento de mão especial e inclusive foi desenvolvida pela GM uma cor cinza especialmente para carros de pessoas da tecnocracia.

Em 1936, o movimento já tinha cerca de meio milhão de associados nos EUA mais Canadá.

Tão rápido quanto o crescimento do movimento, foi seu declínio, que começou já a partir de 1937. Em 1940, com a Segunda Guerra Mundial, o movimento entrou no esquecimento.

Alguns historiadores atribuem o declínio da tecnocracia à implantação do New Deal, um plano bem sucedido de recuperação econômica iniciado em 1933 pelo presidente Roosevelt. O New Deal recuperou a confiança do povo nas instituições e no governo, e dissipou ideias radicais não alinhadas com o liberalismo americano.

Ironicamente, o estudo realizado pela Aliança Técnica sobre o potencial energético dos Estados Unidos foi utilizado pelos elaboradores do New Deal.

A partir de 1939, com a II Guerra Mundial, a economia norte-americana reaqueceu e enterrou por completo a ideia de implantação de uma tecnocracia.

A tecnocracia não passou de um movimento conduzido por engenheiros e sem nenhum suporte ou habilidade política para transformá-lo em algo concreto.

No entanto, o New Deal e o início da Segunda Guerra Mundial não foram as únicas causas do fracasso na implantação da tecnocracia, pois a falta de propostas e resultados concretos, bem como a inabilidade política de lidar com as situações, minaram a credibilidade na tecnocracia.

O movimento desapareceu, porém, a Technocracy Incorporated ainda existe e mantém um site com um boletim mensal, e ainda realiza reuniões de associados.

O material e a documentação que restou da Tecnocracia foi entregue por seus líderes para a Biblioteca da Universidade de Alberta, no Canadá.

Uma curiosidade. O avô do famoso megaempresário Elon Musk, Joshua Haldeman, foi o líder do movimento da tecnocracia no Canadá.

Elon Musk é um defensor do transumanismo e da tecnocracia; ele é um megainvestidor na área de ciência e tecnologia, e investe em tecnologia ligada ao transumanismo.

Um ponto importante é que devemos distinguir entre uma tecnocracia de fato e um governo suportado por tecnocratas, que é o caso na maioria dos países.

Uma tecnocracia é um sistema completo de governo, enquanto que um governo tecnocrático pode assumir diversas formas como, por exemplo, a de democracia ou de regime comunista. 

O movimento da tecnocracia de 1930 surgiu em uma época em que a tecnologia engatinhava, quando o impacto da tecnologia sobre o cidadão se resumia apenas a consumir produtos como carros e eletrodomésticos.

Atualmente, a situação é bem diferente, pois a vida humana e a sociedade têm como eixo central uma dependência muito maior em relação à ciência e tecnologia. A ciência e a tecnologia estão definindo a vida humana e o futuro da humanidade.

Com cada nova frase aparecendo em destaque branco e as anteriores em tom de cinza.

Embora o movimento da tecnocracia da década de 1930 não tenha se concretizado, dele é possível inferir algumas lições interessantes:

1. Uma tecnocracia fundamenta-se na ciência e tecnologia; suas decisões são técnicas, e por serem técnicas, são decisões feitas exclusivamente por cientistas, engenheiros e técnicos. 

2. Nela, tudo é moldado tecnicamente: os indivíduos, a sociedade, as instituições.

3. É revolucionária e requer uma reengenharia social.

4. Tem aversão a tudo que não tem como base a ciência e a tecnologia, por exemplo, democracia, capitalismo, comunismo, liberalismo, socialismo, etc.

5. Exerce forte planejamento centralizado. É por isso que o comunismo abraça o viés tecnocrático.

6. É potencialmente um inigualável sistema de controle social e tem um viés totalitário.

7. Sua econômica não é contabilizada com base no trabalho, mas em termos de recursos e energia.

8. Considera o Criador como uma ideia supersticiosa e retrograda. É indiferente à espiritualidade e à fé, desde que não se oponham ou se coloquem no caminho da tecnocracia.

9. É basicamente amoral. Sua limitação ética é a ciência. Produzir uma bomba atômica é visto como progresso; eugenia pode ser uma ferramenta de desenvolvimento, etc.

Em adição a tudo que falamos, a tecnocracia tem como base o conhecimento cientifico, e conhecimento é um poder que pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal.

A tecnocracia leva o ser humano a ter uma visão materialista e naturalista sobre o mundo e a vida, que é a visão da ciência. Ela leva a um modo de vida banalizante, pois tem como eixo motor a tecnologia, que é voltada ao lado prático, utilitário e consumista da vida, e a vida humana é muito mais do que apenas ciência e tecnologia.

A tecnocracia fatalmente verá o conhecimento não científico, a cultura pré-existente, as tradições e a fé humana como inimigos a serem subjugados ou eliminados.

Por exemplo, na China, o Partido Comunista Chinês faz da tecnologia um meio de controle social. A sociedade chinesa é monitorada e vigiada. Lá, cada pessoa é classificada como um bom ou mau cidadão por meio de um sistema informatizado de pontuação social do próprio governo. A pessoa é premiada ou punida dependendo de sua pontuação.

Esse é o início de um sistema tecnológico de total subjugação da liberdade humana, mas que é promovido como um avanço social, pois faz propaganda apenas de seu lado utilitário.

A tecnologia torna-se perigosa quando usada por governos como o da China, que não respeita direitos humanos e individuais.

Por exemplo, o Partido Comunista Chinês começa a usar seu sistema de vigilância nacional para aumentar sua opressão a cristãos, iugares, budistas e praticantes do Falun Dafa, os quais estão sendo perseguidos. O sistema também é usado para inibir que pessoas expressarem nas redes sociais opiniões que desagradam o regime comunista chinês.

A ciência e a tecnologia são para algumas pessoas uma porta para o Inferno e, para outras, a antecâmara do Paraíso. Veremos isso no segundo vídeo desta série, que é sobre Transumanismo e no terceiro e último vídeo que é sobre Tecnocracia no Século XXI.

Devemos nos lembrar que tudo o que fazemos afeta a todos.

Devemos nos lembrar que não é o conhecimento que liberta, mas a Verdade.

Devemos buscar a Verdade e cultivar a Bondade em primeiro lugar.


Imagem de capa: Technocrat Magazine

  • 2. Transumanismo

    • Série: Tecnocracia
    • 2020
    • 30 min.
    Pela primeira vez na história, o ser humano está deixando de ser o senhor da tecnologia e passando gradativamente a ser também objeto da tecnologia, assim falaremos sobre o Transumanismo.

    Assista o documentário aqui →
  • 3. Tecnocracia Século XXI

    • Série: Tecnocracia
    • 2020
    • 30 min.
    O primeiro vídeo desta série foi sobre o movimento da Tecnocracia na década de 1930 e o segundo sobre Transumanismo. Este é o terceiro e último vídeo da série e é sobre Tecnocracia no Século XXI.

    Assista o documentário aqui →
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